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Nobel de Economia 2025 e a Destruição Criativa: O Que a Inovação Ensina ao Investidor de Longo Prazo

Na última segunda-feira, 13 de outubro, a Real Academia Sueca de Ciências anunciou os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2025: o historiador econômico Joel Mokyr e os economistas Philippe Aghion e Peter Howitt. Os três foram premiados por explicar como a inovação é o motor do crescimento econômico sustentado – e por que esse motor depende de um processo tão poderoso quanto incômodo, conhecido como destruição criativa.

À primeira vista, pode parecer um tema distante do dia a dia de quem investe. No entanto, poucas ideias da economia são tão importantes para entender por que algumas empresas prosperam por décadas enquanto outras, que pareciam invencíveis, simplesmente desaparecem.

O que é a destruição criativa

O termo foi popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter na década de 1940. A ideia é simples: quando um produto novo e melhor chega ao mercado, ele não apenas cria valor, mas também destrói o valor de quem vendia o produto antigo. O carro substituiu a carroça, a fotografia digital substituiu o filme, o streaming substituiu a locadora de vídeo.

Em 1992, Aghion e Howitt transformaram essa intuição em um modelo matemático, mostrando como esse ciclo contínuo de substituição explica o crescimento das economias no longo prazo. Já Mokyr, estudando a história da Revolução Industrial, identificou as condições para que esse processo se sustente: conhecimento científico acessível e sociedades abertas à mudança.

Os três também mostraram que a destruição criativa gera conflitos. Empresas estabelecidas e grupos de interesse que se sentem ameaçados tendem a tentar bloquear as inovações. Quando conseguem, a economia estagna. Em outras palavras, o progresso não é garantido – precisa ser preservado.

As lições para o investidor

Nenhuma empresa é eterna. Kodak, Blockbuster e Nokia já foram líderes absolutas em seus mercados. Todas foram atropeladas por inovações que subestimaram. Na Bolsa, isso significa que comprar uma ação e esquecê-la para sempre, sem acompanhar o negócio, pode ser um erro caro. O tamanho de uma empresa hoje não garante sua relevância amanhã.

As vantagens competitivas precisam ser defendidas. Warren Buffett costuma comparar as boas empresas a castelos protegidos por um fosso. A destruição criativa é justamente a força que tenta atravessar esse fosso. Por isso, o investidor deve se perguntar constantemente: essa empresa está investindo em inovação? Ela é a que cria a mudança ou a que será substituída por ela?

Os maiores ganhos vêm das empresas que inovam. O outro lado da destruição criativa é a criação de valor extraordinário. As companhias que lideraram as grandes ondas tecnológicas, da eletricidade à internet, multiplicaram o patrimônio de seus acionistas. Hoje, a inteligência artificial é apontada como a próxima grande onda – com todas as oportunidades e os riscos que isso envolve.

Como se proteger – e aproveitar

Se é impossível saber com antecedência quais empresas sobreviverão à próxima onda de inovação, a resposta mais eficiente é conhecida: diversificação. Os índices de ações se renovam automaticamente, retirando as empresas que perdem relevância e incluindo as que ganham espaço. Quem investe em um fundo de índice, como um ETF do S&P 500 ou BOVA11 participa naturalmente da destruição criativa – do lado de quem ganha.

Para quem escolhe ações individualmente, a recomendação é acompanhar de perto a capacidade de inovação das empresas da carteira e desconfiar de negócios que dependem de proteções regulatórias ou da ausência de concorrência para sobreviver. E, sobretudo, evitar a armadilha oposta: pagar qualquer preço por uma empresa apenas porque ela está associada à tecnologia do momento.

Conclusão

Em resumo, o Nobel de Economia de 2025 premiou uma ideia que todo investidor deveria levar consigo: a economia avança porque o novo substitui o velho, e esse processo cria e destrói fortunas o tempo todo. Ignorar a destruição criativa é correr o risco de ficar preso a empresas do passado; deixar-se levar pela euforia da inovação é correr o risco de pagar caro demais pelo futuro.

O equilíbrio está no meio do caminho: diversificação, acompanhamento constante dos negócios e disciplina na hora de pagar. No longo prazo, quem aposta no progresso costuma ser recompensado.

Sucesso e Bons Investimentos!