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2025 em Retrospectiva: Os Fatos Que Marcaram as Finanças e os Investimentos no Brasil e no Mundo

Poucos anos recentes foram tão intensos para quem investe quanto 2025. Houve guerra comercial, juros nas alturas, recordes na Bolsa, um dólar em queda no mundo todo, a euforia com a inteligência artificial e até a quebra de um banco que mobilizou mais de um milhão e meio de investidores. Para quem manteve a calma e a disciplina, foi também um ano de bons resultados.

Neste último artigo do ano, reunimos os acontecimentos mais marcantes de 2025 – cinco no Brasil e sete no mundo – e o que cada um deles ensina a quem pensa no longo prazo.

No Brasil

1. Selic a 15%, o maior juro em quase 20 anos. Em junho, o Copom elevou a taxa básica para 15% ao ano, o maior nível desde 2006, e a manteve nesse patamar até dezembro. Foi um ano de ouro para a renda fixa, com juros reais acima de 9%, e um ano difícil para quem dependia de crédito.

2. O tarifaço americano. Em julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, em uma decisão com forte componente político. O dólar subiu e a Bolsa caiu no primeiro momento, mas as isenções concedidas a diversos produtos e a negociação entre os países reduziram o impacto ao longo do semestre.

3. A reforma do Imposto de Renda e a volta da tributação de dividendos. Sancionada em novembro, a nova lei isenta do IR quem ganha até R$ 5 mil por mês e, a partir de 2026, cria a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais por empresa, além de um imposto mínimo para altas rendas. Encerrou-se uma isenção que vigorava desde 1996 – e começou uma corrida das empresas para aprovar dividendos ainda em 2025.

4. O caso Banco Master. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições do grupo. Com cerca de 1,6 milhão de credores e R$ 41 bilhões em garantias, foi o maior resgate da história do FGC – e uma lição cara sobre os riscos dos CDBs que pagam muito acima do mercado.

5. Bolsa em recorde e dólar em queda. Apesar dos juros altos, o Ibovespa renovou suas máximas históricas dezenas de vezes, superou os 160 mil pontos e caminha para encerrar o ano com alta superior a 30%, o melhor desempenho desde 2016. O dólar, que começou 2025 acima de R$ 6, acumula queda de mais de 10% frente ao real. O motor foi, em grande parte, o investidor estrangeiro.

No mundo

1. O “Dia da Libertação” e a guerra tarifária. Em 2 de abril, o presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre importações de praticamente todos os países. Em poucos dias, o S&P 500 caiu cerca de 12%, na pior sequência desde a pandemia. Uma semana depois, a suspensão de parte das tarifas por 90 dias provocou uma das maiores altas diárias da história de Wall Street – e quem vendeu no pânico perdeu a recuperação.

2. O Fed volta a cortar juros. Depois de nove meses de pausa, o banco central americano reduziu os juros em setembro, outubro e dezembro, levando a taxa para o intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, o menor desde 2022. O movimento enfraqueceu o dólar no mundo todo e favoreceu os mercados emergentes, inclusive o Brasil.

3. A corrida da inteligência artificial. A IA dominou os mercados. Em outubro, a Nvidia se tornou a primeira empresa da história a valer US$ 5 trilhões, e os investimentos bilionários em centros de dados se multiplicaram. Ao mesmo tempo, o Banco da Inglaterra e o FMI alertaram para o risco de uma correção, reacendendo as comparações com a bolha da internet.

4. O dólar perde força no mundo. A moeda mais importante do planeta viveu um ano raro. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes como o euro, o iene e a libra, caiu cerca de 11% no primeiro semestre – o pior início de ano desde 1973, quando o mundo abandonou o padrão-ouro. A guerra tarifária, o aumento da dívida americana e as pressões políticas sobre o Fed abalaram a confiança dos investidores na moeda de reserva global. O enfraquecimento do dólar ajudou a explicar a valorização do real e o forte fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil.

5. A montanha-russa do bitcoin. A criptomoeda atingiu sua máxima histórica, acima de US$ 126 mil, no início de outubro. Dias depois, em 10 de outubro, uma onda de liquidações eliminou cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas em apenas 24 horas, a maior da história do mercado cripto. O bitcoin chega ao fim do ano cerca de 30% abaixo do pico.

6. A despedida de Warren Buffett. Em maio, aos 94 anos, o investidor mais admirado do mundo anunciou que deixaria o comando da Berkshire Hathaway no fim de 2025, entregando o cargo de CEO a Greg Abel. É o encerramento de seis décadas de uma trajetória que transformou a forma como o mundo pensa sobre investimentos – e tema do nosso primeiro artigo de 2026.

7. A paralisação mais longa do governo americano. Entre outubro e novembro, o governo dos Estados Unidos ficou 43 dias parcialmente paralisado por falta de acordo orçamentário, o mais longo shutdown da história do país. A divulgação de dados econômicos importantes foi suspensa, deixando o Fed e os investidores “no escuro” em um momento decisivo para os juros.

O que 2025 ensina ao investidor

Olhando para trás, o ano deixa algumas lições claras. A primeira é que o pânico raramente é bom conselheiro: tanto no “Dia da Libertação” quanto no tarifaço contra o Brasil, quem vendeu no susto perdeu a recuperação que veio em seguida. A segunda é que a diversificação funciona: renda fixa, ações brasileiras, ativos internacionais e moedas fortes tiveram momentos muito diferentes ao longo do ano, e uma carteira equilibrada atravessou as turbulências com muito mais tranquilidade.

A terceira lição é que taxa alta sempre esconde risco, como mostrou o caso Banco Master. E a quarta é que euforia pede cautela, seja no bitcoin, seja nas ações ligadas à inteligência artificial. Nenhuma dessas lições é nova – Benjamin Graham já as ensinava há mais de 70 anos –, mas 2025 fez questão de relembrá-las.

Conclusão

Em resumo, 2025 foi um ano de extremos: juros recordes e Bolsa em alta, dólar em queda no Brasil e no mundo, euforia tecnológica e alertas de bolha. Para 2026, o mercado já projeta o início da queda da Selic, a entrada em vigor da nova tributação de dividendos e, no mundo, a continuidade do debate sobre a inteligência artificial e os rumos da economia americana.

Ninguém sabe exatamente o que o próximo ano reserva. Mas uma certeza permanece: quem investe com planejamento, diversificação e disciplina está preparado para qualquer cenário. Que 2026 traga a todos os leitores do Riqueza Familiar saúde, serenidade e muitas conquistas.

Sucesso e Bons Investimentos!