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A Bolsa de Valores no Ano Eleitoral

A cada quatro anos, a mesma pergunta volta às conversas entre investidores: o que fazer com o dinheiro em ano de eleição? A dúvida é natural. Em poucas semanas, o noticiário passa a ser dominado por pesquisas, debates e promessas de campanha, e a bolsa costuma reagir a cada novidade. Neste ano, a corrida começou oficialmente no último dia 16, e o mercado já deu sinais de que não vai passar por esse período em silêncio.

O calendário dessa eleições

A campanha eleitoral começou em 16 de agosto, com a liberação da propaganda nas ruas e na internet. A propaganda gratuita no rádio e na televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro. O primeiro turno acontece em 4 de outubro e, se houver segundo turno, a votação será em 25 de outubro.

Para o mercado, essas datas funcionam como marcos. A divulgação de pesquisas, os debates e a apresentação dos programas de governo costumam movimentar os preços das ações e do dólar, especialmente quando o tema é política fiscal, juros e o papel das empresas estatais.

A volatilidade já chegou

Os primeiros sinais apareceram neste mês. Depois de uma longa sequência de quedas, o Ibovespa reagiu na semana passada e fechou a sexta-feira, dia 21, aos 171 mil pontos, mas ainda acumula queda de quase 4% em agosto, com saída de capital estrangeiro da bolsa. O dólar chegou a R$ 5,25 durante a semana, o maior nível desde março, antes de recuar para R$ 5,14.

Esse vaivém não é uma anomalia, mas sim o comportamento típico dos mercados diante da incerteza. Quando o futuro da política econômica fica menos previsível, os investidores exigem um prêmio maior para correr risco, e os preços oscilam mais.

O que a história mostra

Olhar para as eleições anteriores ajuda a colocar o momento em perspectiva. Um levantamento da consultoria Elos Ayta com as seis eleições presidenciais desde 2002 mostra que o Ibovespa subiu entre o primeiro e o segundo turno em cinco delas.

Mas o histórico também mostra que não existe padrão garantido. Segundo a XP, considerando as eleições de 2002 a 2018, o Ibovespa caiu em média 6,7% nos seis meses anteriores à votação e subiu cerca de 5,9% nos seis meses seguintes. Em 2002, o índice recuou quase 30% no semestre anterior ao pleito e se recuperou cerca de 27% no semestre seguinte. Em outros anos, como 2010 e 2014, o desempenho depois da eleição foi negativo.

A principal lição é que o mercado sofre mais com a incerteza do que com o resultado em si. À medida que o cenário fica mais claro, seja qual for o vencedor, a volatilidade tende a diminuir e os preços voltam a refletir os fundamentos das empresas e da economia.

Como o investidor deve se posicionar

O primeiro cuidado é não transformar a carteira em uma aposta eleitoral. Tentar adivinhar o resultado e mudar todos os investimentos com base em pesquisas é uma forma de especulação, e mesmo os profissionais erram com frequência.

O segundo é manter a diversificação. Uma carteira equilibrada entre renda fixa, ações, fundos imobiliários e uma parcela em ativos dolarizados está mais preparada para atravessar qualquer cenário. Em momentos de estresse, o dólar costuma subir quando a bolsa cai, ajudando a amortecer as perdas.

O terceiro é respeitar o horizonte de cada objetivo. O dinheiro que você vai precisar nos próximos meses não deve estar exposto às oscilações da bolsa. Já os recursos de longo prazo podem atravessar a volatilidade com tranquilidade, como mostrei em O Risco no Mercado Financeiro.

Por fim, quem investe todos os meses pode até se beneficiar desse período. Quedas temporárias permitem comprar boas empresas a preços menores, desde que a análise esteja baseada nos fundamentos, como o fosso econômico e a capacidade de gerar lucro, e não no calor do noticiário. Vale lembrar também que, mesmo com o ciclo de cortes da Selic em andamento, a renda fixa continua oferecendo retornos elevados para a parcela mais conservadora da carteira.

Concluindo

Ano eleitoral é sinônimo de volatilidade, e 2026 não será diferente. A história mostra que a bolsa costuma sofrer com a incerteza antes da votação e que os preços se acomodam quando o cenário fica mais claro. O investidor que mantém disciplina, diversificação e foco no longo prazo atravessa esse período com mais tranquilidade e continua fazendo o dinheiro trabalhar a seu favor, independentemente de quem vença nas urnas.

Sucesso e Bons Investimentos!