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Por Que Todo Investidor Brasileiro Deveria Ter Parte da Carteira em Dólar – e Como Fazer Isso com ETFs e BDRs

Na última sexta-feira, 22 de agosto, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizou em seu discurso anual em Jackson Hole que o banco central americano pode começar a cortar os juros já em setembro. A reação foi imediata: o dólar caiu quase 1% e fechou cotado a R$ 5,42. Com isso, a moeda americana acumula uma queda de mais de 10% frente ao real em 2025.

Para muitos investidores, a conclusão parece óbvia: se o dólar está caindo, por que investir nele? No entanto, essa pergunta parte de uma premissa equivocada. Ter parte da carteira em dólar não é uma aposta na alta da moeda, mas sim uma estratégia de proteção e diversificação – e, como vimos no artigo sobre o tarifaço americano, choques externos podem atingir o investidor brasileiro a qualquer momento.

Por que ter parte da carteira em dólar

O Brasil é uma fatia pequena do mundo. A Bolsa brasileira representa menos de 1% do valor de mercado das bolsas globais. Quem investe apenas no Brasil abre mão de 99% das oportunidades – incluindo setores praticamente ausentes da nossa Bolsa, como tecnologia, saúde e consumo global, onde estão algumas das empresas mais lucrativas do planeta.

O dólar funciona como um seguro. Em momentos de crise doméstica, seja ela fiscal, política ou provocada por fatores externos, o real costuma se desvalorizar e a Bolsa brasileira costuma cair ao mesmo tempo. Nessas horas, a parcela da carteira em dólar tende a subir, amortecendo as perdas. Em outras palavras, ela ganha valor justamente quando o restante da carteira mais sofre.

Seu patrimônio fica protegido contra a perda de poder de compra global. Viagens, produtos importados, tecnologia e até boa parte dos alimentos têm preços influenciados pelo dólar. Ter uma reserva na moeda americana preserva a capacidade de consumo da família no longo prazo.

O dólar caiu. É hora de comprar?

Ninguém sabe. O câmbio é uma das variáveis mais imprevisíveis da economia, e até os grandes bancos erram sistematicamente suas projeções. No início do ano, com o dólar acima de R$ 6, poucos imaginavam que ele chegaria a agosto na casa dos R$ 5,40.

Por isso, a melhor estratégia não é tentar acertar o momento, mas sim construir a posição aos poucos, com aportes regulares ao longo dos meses. Assim, o investidor compra em diferentes cotações e chega a um preço médio, sem depender da sorte. Ainda assim, é inegável que comprar dólar mais barato do que no início do ano torna o ponto de partida mais favorável.

Como investir em dólar sem sair do Brasil

Até poucos anos atrás, investir no exterior era privilégio de quem tinha muito dinheiro. Hoje, há caminhos simples e acessíveis, todos disponíveis na própria Bolsa brasileira:

ETFs de índices internacionais. São fundos negociados na B3 que replicam índices globais, como o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas americanas. Com uma única cota, o investidor passa a ter exposição a centenas de companhias e à variação do dólar, com custos baixos. Para a maioria das pessoas, é a forma mais simples e eficiente de começar.

Entre os exemplos mais conhecidos negociados na B3 estão o IVVB11 e o SPXI11, que acompanham o S&P 500; o NASD11, que replica o Nasdaq-100, índice das maiores empresas de tecnologia americanas; e o ACWI11, que dá exposição a milhares de empresas de países desenvolvidos e emergentes ao redor do mundo. Os nomes são apenas ilustrativos, e não recomendações: antes de investir, vale comparar a taxa de administração e a liquidez de cada um.

BDRs. São recibos negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras, como Apple, Microsoft ou Coca-Cola. Permitem escolher empresas específicas, mas exigem mais conhecimento e mais acompanhamento.

Fundos de investimento internacionais ou cambiais. Os primeiros investem em ativos no exterior com gestão profissional; os segundos apenas acompanham a variação da moeda. São alternativas para quem prefere delegar as decisões.

Conta em corretora no exterior. Dá acesso direto ao mercado americano, mas envolve a remessa de recursos, hoje sujeita a IOF de 1,1% quando destinada a investimentos, além de regras próprias de tributação e declaração. É mais indicada para quem já tem um patrimônio maior lá fora.

Um cuidado importante: ETFs e BDRs não têm a isenção de R$ 20 mil mensais em vendas que vale para as ações brasileiras, e os ganhos são tributados em 15%.

Quanto ter em dólar?

Não existe um número mágico. Uma referência bastante utilizada é manter entre 10% e 30% do patrimônio no exterior, de acordo com o perfil e os objetivos de cada investidor. Quem tem metas em moeda estrangeira, como estudar ou morar fora, pode precisar de uma parcela maior. O mais importante é começar e, depois, manter a disciplina do rebalanceamento.

Conclusão

Em resumo, investir em dólar não é apostar contra o Brasil, mas sim reconhecer que nenhum país deve concentrar todo o patrimônio de uma família. A queda recente da moeda americana não elimina essa necessidade – apenas torna o momento de começar mais confortável.

Com ETFs e BDRs, o caminho está ao alcance de qualquer investidor, a partir de valores pequenos e sem sair da Bolsa brasileira. A diversificação internacional não serve para enriquecer mais rápido, e sim para garantir que nenhuma crise, de qualquer lugar, seja capaz de comprometer o seu futuro.

Sucesso e Bons Investimentos!