Vale tudo pelo lucro? Essa indagação veio à minha mente durante a leitura do fantástico livro O Império da Dor, de Patrick Radden Keefe.
De forma brilhante, o autor esmiúça a história da Purdue Pharma, a empresa por trás do lançamento do OxyContin, o medicamento que desencadeou uma crise sem precedentes de vício em opioides nos Estados Unidos. Essa crise, descrita como uma verdadeira epidemia, já causou a morte de mais de 500 mil pessoas e continua a devastar vidas, comunidades e famílias.
A busca desenfreada por lucros levou a Purdue a ignorar os claros sinais de perigo associados ao OxyContin. Com estratégias agressivas de marketing, a empresa promoveu esse medicamento como um tratamento seguro e eficaz para dor crônica, enquanto minimizava publicamente os riscos de dependência. O resultado? Processos judiciais, investigações, multas bilionárias e, eventualmente, a falência da Purdue Pharma.
Mas as consequências não pararam por aí. O nome Sackler, sinônimo de riqueza e influência, foi profundamente manchado. Antes celebrados como grandes filantropos, os membros da família enfrentaram forte hostilidade em praticamente todas as áreas em que tinham interesses, desde instituições culturais até universidades. Museus renomados como o Louvre e a Tate Modern começaram a recusar doações da família, removendo até mesmo seu nome de galerias e edifícios.
Para investidores e empreendedores, essa história é um alerta poderoso sobre os perigos de decisões que priorizam lucros de curto prazo sem considerar riscos éticos e financeiros de longo prazo. A falência da Purdue demonstra que ignorar os impactos sociais e ambientais pode destruir até mesmo os maiores impérios, comprometendo não apenas os negócios, mas também a reputação construída ao longo de décadas.
No mercado financeiro, esse caso ressalta a importância de uma análise de risco abrangente e de práticas de governança responsável. Empresas que negligenciam essas questões podem atrair litígios, prejudicar seus acionistas e comprometer suas operações. Para quem busca retornos consistentes, investir em empresas com princípios éticos sólidos e responsabilidade social não é apenas uma escolha moral, mas uma estratégia financeira inteligente.
Ler O Império da Dor não é apenas uma experiência reveladora; é um exercício necessário para quem deseja compreender as consequências do capitalismo sem freios e se tornar um investidor mais consciente.
E você, até onde acredita que vale a pena ir pelo lucro?
Sucesso e Bons investimentos!