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O Vendedor de Futuros – A trajetória de Nilton Molina e a Construção do Mercado de Seguros no Brasil

Essa semana finalizei a leitura de O Vendedor de Futuros, biografia de Nilton Molina escrita pelo jornalista Luís Costa Pinto e publicada pela Editora Geração em 2021. Esse livro te leva para dentro do mercado de seguros, pois, com uma linguagem envolvente e fluída, o autor conseguiu mesclar aspectos da vida do biografado, um dos protagonistas mais ativos e influentes do ramos de seguros de vida e previdência no Brasil, com parte da história do desenvolvimento do mercado de seguros, entregando um livro empolgante que não dá vontade de parar de ler.

Nilton Molina, nascido em 1936, é uma das figuras centrais na história do setor de seguros no país. Com mais de sete décadas de atuação profissional, ele não apenas testemunhou, mas também foi agente direto de grandes transformações que moldaram o cenário da previdência privada e do seguro de vida no Brasil. Quando o livro foi lançado, em 2021, Molina já contabilizava 73 anos de carreira. Não à toa, é considerado uma referência incontornável quando se fala em proteção financeira e planejamento previdenciário no Brasil.

A mente empreendedora por trás da transformação do setor

Desde muito jovem, Molina demonstrou um olhar empreendedor aguçado. Atuando inicialmente na área de vendas, rapidamente compreendeu o potencial do setor de seguros de pessoas. Percebeu que a baixa penetração do seguro de vida no Brasil não se devia à falta de necessidade, mas sim à falta de consciência da população sobre os benefícios desse instrumento de proteção.

Mais do que vender seguros, Molina passou a atuar como um verdadeiro educador financeiro, buscando abrir os olhos dos brasileiros para a importância de se protegerem financeiramente diante dos riscos da vida. Sua visão era clara: o sistema público de previdência social, por mais necessário que fosse, apresentava inúmeras deficiências estruturais e não seria capaz de, sozinho, garantir a segurança financeira da população no longo prazo.

A partir desse diagnóstico, Molina passou a defender com convicção o desenvolvimento da previdência complementar e dos seguros de vida como alternativas eficazes para garantir um futuro mais seguro para as famílias brasileiras.

Protagonismo na construção institucional do setor

Ao longo de sua trajetória, Nilton Molina ocupou cargos de liderança nas principais seguradoras e entidades representativas do setor. Atuou como executivo em companhias como a Bradesco Previdência, Icatu Seguros e Mongeral Aegon (MAG Seguros), sendo um dos responsáveis por transformar essas instituições em grandes players do mercado.

Mas sua contribuição foi muito além das fronteiras corporativas. Um dos momentos mais marcantes de sua atuação institucional foi sua participação ativa na formulação da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977, que estabeleceu as diretrizes e bases da previdência complementar no Brasil. Essa lei foi um divisor de águas, pois criou um marco legal sólido para o funcionamento das entidades de previdência privada, dando segurança jurídica e institucional a um setor até então pouco estruturado.

Durante o governo do presidente José Sarney (1985–1990), Molina integrou o Conselho de Seguridade Social, órgão responsável por discutir e formular políticas públicas na área previdenciária. Nesse período, colaborou com propostas para o aperfeiçoamento do sistema de proteção social, sempre com foco na sustentabilidade fiscal e na ampliação das alternativas de cobertura previdenciária para os brasileiros.

A defesa da longevidade e da previdência sustentável

Em suas últimas décadas de atuação, Nilton Molina passou a se dedicar também ao debate público sobre os impactos do envelhecimento populacional no Brasil. Como presidente do Conselho de Administração do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, Molina promoveu pesquisas, fóruns e campanhas de conscientização sobre os desafios da longevidade e a necessidade de repensar os modelos tradicionais de previdência.

Em diversas entrevistas e palestras, ele alertou para o fato de que o aumento da expectativa de vida exigirá das pessoas um novo comportamento financeiro: o de se preparar, desde cedo, para um tempo de vida mais longo, mas também mais vulnerável, se não for acompanhado de planejamento.

A visão de Molina é clara: em um país em que o sistema público de previdência se mostra cada vez mais pressionado, é fundamental fortalecer a cultura da poupança previdenciária e da proteção por meio de seguros. Ele sempre defendeu que a previdência complementar não deve ser encarada como um privilégio, mas como um direito que precisa ser democratizado e estimulado por meio de políticas públicas, incentivos fiscais e educação financeira.

Um legado que vai além do mercado

O livro O Vendedor de Futuros não é apenas a história de um empresário de sucesso. É, sobretudo, um testemunho sobre a construção de um setor vital para o bem-estar financeiro da população. Ao longo das páginas, percebemos como a atuação de Molina contribuiu para colocar o seguro de vida e a previdência privada na agenda econômica e social do país.

Ao terminar a leitura, fica evidente que Nilton Molina não apenas construiu empresas ou ajudou a formular leis. Ele vendeu, sim, futuros — mas no melhor sentido da palavra: ajudou milhares de brasileiros a enxergar o valor de planejar o amanhã, protegendo o hoje.

Para quem se interessa por investimentos, previdência e história empresarial brasileira, a leitura de O Vendedor de Futuros é altamente recomendada. Além de conhecer um personagem fascinante, o leitor terá acesso a uma rica análise das transformações sociais e econômicas do Brasil das últimas décadas — sob a ótica de quem ajudou a construí-las.

Sucesso e Bons Investimentos!